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Primeira Frente Agrária de MS ganha força e cobra protagonismo na reforma agrária

A criação da Frente Estadual de Movimentos Agrários de Mato Grosso do Sul (FEMAMS) marca um passo histórico na luta pela terra e pela moradia no estado. Pela primeira vez, diferentes organizações do campo e da cidade se unem em uma única frente para reivindicar dignidade, acesso à terra e políticas públicas estruturantes.

Atualmente, a FEMAMS congrega sete movimentos sociais:

LCU-BR – Ligas Camponesas e Urbanas do Brasil, com mais de 1.300 famílias em quatro acampamentos localizados em Ribas do Rio Pardo, Sidrolândia, Terenos e Campo Grande;

MDF – Movimento Dorcelina Folador, com mais de 150 famílias acampadas na capital;

USB – União Social Brasileira, com mais de 120 famílias em Terenos;

AFBLA – Associação Bunitense pela Reforma Agrária, com 320 famílias em Bonito;

Movimento Nova Esperança Terra e Teto, com mais de 700 famílias na região de Nova Andradina;

Movimento Abraão Lincoln, com mais de 350 famílias em Ponta Porã;

MSAF – Movimento Sul-Mato-Grossense Agrário da Fronteira, fundado e coordenado por uma mulher, com o acampamento Chico Mendes em Antônio João, reunindo mais de 500 famílias.

No total, mais de 3 mil famílias encontram-se sob a responsabilidade da Frente, vivendo em condições precárias, mas unidas pela esperança de conquistar a terra e produzir alimentos.

“Juntos ficamos grandes”

Em entrevista, o porta-voz da FEMAMS destacou a importância dessa articulação inédita:

“Esses movimentos, historicamente pequenos e isolados, quando se unem se tornam grandes. Temos na veia o anseio da terra, o desejo de produzir, mas precisamos da política pública chamada reforma agrária para transformar esse sonho em realidade. O Incra tem uma meta ousada de assentar 5 mil famílias em Mato Grosso do Sul, e queremos no mínimo 2 mil dessas vagas destinadas às organizações representadas pela Frente.”

Avanços no Estado

Dados recentes mostram que a reforma agrária voltou a ganhar fôlego em Mato Grosso do Sul após mais de uma década de paralisação. Em setembro, o Incra entregou o primeiro assentamento em 12 anos, beneficiando 80 famílias em Cassilândia. Segundo a autarquia, outros projetos estão em andamento, reforçando o compromisso com a meta anunciada pelo governo federal.

O porta-voz ressaltou o papel do governo federal nesse processo:

“O presidente Lula tem demonstrado sensibilidade com a questão da terra, retomando a reforma agrária de forma estruturada e dialogada. O Incra de Mato Grosso do Sul vem trabalhando com transparência, seriedade e compromisso, e isso nos dá confiança de que nossa pauta será atendida.”

Apoios políticos e próximos passos

Na última reunião, realizada em uma das salas da Assembleia Legislativa, as entidades reafirmaram apoio político a releicao do presidente Lula, a releicao do governador Eduardo Riedel, e às pré-candidaturas ao Senado de Reinaldo Azambuja e Vander Loubet. Também está em discussão a posição da Frente quanto à eleição de deputados estaduais e federais.

“Não queremos ser deixados para trás. Queremos ser parte da solução. A terra é vida, é produção, é dignidade. E, juntos, mostramos que somos capazes de lutar não só pela reforma agrária, mas por um futuro mais justo para o campo e a cidade.” – finalizou o porta-voz da FEMAMS

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