Deputada Gleice Jane cobra fim da violência e defende direitos territoriais dos Guarani Kaiowá
Em entrevista ao Portal Notícias do Pantanal, a deputada estadual Gleice Jane (PT) fez um alerta sobre a grave situação vivida pelas comunidades Guarani Kaiowá na região sul de Mato Grosso do Sul, especialmente nas áreas de Guyraroká, em Caarapó, e Passo Piraju, em Dourados. Segundo a parlamentar, os povos indígenas enfrentam ataques diretos do Estado, além de problemas de intoxicação por agrotóxicos e falta de proteção institucional.
Gleice destacou que a retomada da área de Guyraroká ocorre em um território já demarcado como indígena, mas que vem sendo pressionado por fazendas vizinhas e pela pulverização de venenos agrícolas.
“Há uma escola que fica a poucos metros das plantações, e o relato é de que muitas crianças já passaram mal, foram intoxicadas. É preciso interromper aulas para socorrer as crianças. Essa é uma situação muito grave”, afirmou a deputada.
De acordo com ela, o governo do Estado tem adotado uma postura arbitrária e opressora, atuando em favor de setores econômicos do agronegócio.
“Não é um conflito entre indígenas e proprietários. É um conflito entre o Estado e a comunidade indígena. O governo estadual defende interesses econômicos em detrimento da saúde e da vida das populações indígenas”, criticou.
A deputada relembrou episódios recentes de violência policial contra comunidades Guarani Kaiowá, como o ataque ocorrido em Amambai, em 2022, quando crianças chegaram a ser alvo de disparos durante operações policiais.
“O ataque era do Estado, com helicópteros e metralhadoras atirando contra indígenas. As crianças ficaram traumatizadas. O que se repete agora em Caarapó é a continuidade dessa política racista de ataque aos povos originários”, denunciou.
Gleice Jane também apontou que a Casa de Leis tem reagido de forma tímida diante do problema. Embora alguns requerimentos e questionamentos tenham sido aprovados, a parlamentar ressalta a necessidade de ampliar o debate na Assembleia Legislativa e de envolver a sociedade civil.
“Poucos de nós aqui temos feito essa discussão. Precisamos que a sociedade olhe para a Casa e perceba quem realmente está defendendo políticas públicas para os povos indígenas”, disse.
A deputada informou que tem mantido diálogo com o Ministério dos Povos Indígenas, com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e com o Ministério Público Federal, buscando soluções pacíficas e estruturais para os conflitos. Ela reforçou, no entanto, que a demora do Estado em agir alimenta a desconfiança das comunidades.
“Os indígenas não acreditam mais na instituição Estado, porque é o Estado que roubou suas terras, que demora nas ações e que, neste momento, os ataca. É uma relação de descrença total”, afirmou.
Segundo Gleice, as soluções passam por indenizações justas, reflorestamento das áreas degradadas e apoio técnico às comunidades para que retomem o modo de vida tradicional.
“Os Guarani Kaiowá são os mais resistentes culturalmente. Eles não lutam por qualquer terra, lutam pela terra que precisa deles. Essa ligação espiritual com o território faz parte da sua identidade e explica a sua força na luta pela retomada”, concluiu.
O gabinete da parlamentar segue realizando visitas, escutas e articulações com órgãos federais, além de promover debates públicos sobre o tema. “É um trabalho de acompanhamento constante e de diálogo com a sociedade. Precisamos que todos compreendam que garantir os direitos indígenas é uma questão de justiça e de vida”, finalizou a deputada.

